quinta-feira, 21 de maio de 2009

VIVER É MELHOR QUE SONHAR?

Faz pouco tempo a Roberta, uma advogada e leitora minha do jornal, me enviou um email carinhoso. Mais tarde, ela me mandou um texto dela. Eu gostei muito e perguntei se poderia transformá-lo em guest post. O texto fala de várias coisas: do "passado" não muito glorioso nem longínquo de Joinville, quando as empresas só contratavam quem tinha sobrenome alemão, da divisão de papeis, e do que queremos pras futuras gerações. Eu penso bastante nisso da diferença entre nós e nossos pais. Lembro de uma turminha de adolescentes pra qual eu adorava dar aula de inglês. As aulas sempre iam pra outros caminhos, e não raro viravam um grande confessional. Numa dessas, eles falaram de toda a raiva que sentiam dos pais. Fiquei espantada, porque era a classe toda reclamando de como os pais eram ausentes ou presentes demais. E que eles, os alunos fofinhos, não queriam ser como os pais quando crescessem. Achei estranho: eles já eram tão parecidos com os pais em tantos sentidos (principalmente no pensamento político, de direita)... E tem o diálogo do clássico adolescente Clube dos Cinco, em que um rapaz pergunta: "Quando crescermos, seremos como os nossos pais?". Uma mocinha responde que não, jamais, mas outra diz que é inevitável: "Simplesmente acontece. Quando você cresce, seu coração morre". Será? Fique com o post da Roberta.

Carta para minha filha
Filhinha, você dorme agora e eu a contemplo, pensando no seu futuro. É, pais têm esse habito de achar que podem fazer alguma coisa para que vocês um dia não dêem as mesmas cabeçadas, que podemos tirar as pedras do caminho e ensinar sem que precisem sentir dor. Balela, filhinha!
Teoricamente, mamãe foi criada pela geração Woodstock, da liberdade sexual, que azucrinava os ouvidos dos pais com o tal rock and roll e de repente passou a idolatrar os intelectuais comunistas exilados na ditadura, a Bossa Nova exaltando o amor, que encontrou sua expressão máxima na tal da Garota de Ipanema. A mesma que, ao final, casou a filha com um capitalista educado no Mackenzie e astro de mega operações financeiras.
Pura balela novamente. Vovó cresceu em uma Joinville dividida entre alemães e “caboclos”, alheia ao que se passava na política desse país, ao desfalecimento das instituições democráticas. Verdade! A cidade tinha até uma espécie de meridiano de Greenwich, de um lado residiam os descendentes de alemães, luteranos, e de outro os caboclos, católicos. Deus (se existir) acudisse um casamento desigual!
O vovô trabalhava na Tupy [empresa de fundição], fazia escola técnica e foi ensinado que homem que era homem fumava, bebia e não poderia deixar passar incólume um rabo de saias que perambulasse na vizinhança.
A vovó olhava tudo isso com um bolo na garganta, com vontade de gritar que aquilo só podia ser uma brincadeira, um modelo criado por algum cínico sádico. Ganhava o jogo quem aguentasse ficar até o final, ou seja, uns 40 ou 50 anos de reuniões dominicais nas quais todo mundo esboçava seu melhor sorriso e vestido. Uma espécie de Big Brother, pois todos sabiam de todos e a eliminação se dava em um paredão sem direito a voto, por morte ou depressão, que naquela época era frescurite.
Para evitar esse modelo, a mamãe trabalha hoje em dois turnos. De dia, mata um leão para mostrar que tem tutano por baixo das belas luzes feitas pelo melhor profissional da cidade. À noite, tenta repetir o modelo de família feliz. Tudo para que você tenha a família estruturada, pai, mãe, o modelinho para desfilar na churrascaria onde todos se encontram.
Você estuda na escola que deliberadamente ignora os novos modelos de família, as uniparentais, as homoafetivas porque, honestamente, nesse jogo de Big Brother ainda não há espaço para as diferenças. Mamãe vai continuar insistindo para que aprenda inglês e de repente, se tiver fôlego depois do esporte, mandarim, pois aquele pessoal de olho puxadinho determina as regras do mercado.
Tudo isso a mamãe enxerga, procurando preparar o seu terreno. E fica chocada quando vê criança arremessada pela janela, filhos criados com amor serem assassinados por um motivo torpe e essa onda absurda de gente abusando sexualmente de crianças que sequer podem balbuciar o próprio nome.
Ah filhinha, dorme em paz, porque sono é saúde e você vai precisar. Mamãe anda cética, não existe nenhum novo ritmo musical para nos tirar por poucas horas desse estupor e nos fazer acreditar que dias melhores virão. Que as mulheres não deveriam sempre “fechar um olho” em prol da boa convivência com o marido e que é um acinte continuar ganhando menos para fazer o mesmo.
A única coisa que eu ainda me lembro da vovó sussurrar, antes de eu dormir, é que “gente foi feita para brilhar (Maiakovski)”. Diante do que vejo, não saberia mostrar mais nada. De tudo que eu posso ensinar, lembre disso. Não existe preço para infelicidade, não há vida de verdade na hipocrisia. Amanhã, levanta feliz e vai, pois como dizia a música de uma tal de Elis, “ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais”.

36 comentários:

Vitor Ferreira disse...

Muito bonito o texto. E eu meio que estou na mesma vibe. Tudo por causa do American Idol. A final foi ontem e eu escrevi um texto lá no meu blog que fala coisas parecidas com o texto dela.

Mari Biddle disse...

Eu comecei lendo o texto e ao terminar senti um desalento. E fiquei pensando que se eu fosse escrever algo assim como uma carta ao meu filho que tom teria?


O texto é lindo!

Má disse...

Olá, bonito texto, fez minha garganta se apertar pela emoção.
Fui criada por pais da geração amor-livre, hj sou ao mesmo tempo parecida e tb muito diferente deles, mas temos uma compreensão mútua tão grande que acho lindo!
Essa música da Elis raramente escuto, me fazia chorar quando escutava.
Também igualmente dela e que prefiro escutar, "o que foi feito devera"

"E o que foi feito é preciso conhecer
Para melhor prosseguir
Falo assim sem tristeza
Falo por acreditar
Que é cobrando o que fomos
Que nós iremos crescer
Outros outubros virão
Outras manhãs plenas de sol e de luz"

Abraços e parabén pelo texto!

Dai disse...

Eu sou uma banana emotiva. Chorei um monte. Lindo, lindo. Milhões de coisas no pensamento e um bolo na garganta. O ideal mesmo é que a gente não seja igual, mas ser diferente é tão difícil, ainda...
beijos, Lola.

lola aronovich disse...

Vitor, li num outro comentário que vc tá de mudança pra São Francisco?! Que história é essa? Conta direito! Então, li seu post sobre American Idol, mas como não vi nenhum programa, não pude me envolver muito com o texto. Aproveitei e li tb a sua crítica a Anjos e Demônios. A minha sai amanhã!


Mari, pois é, acho que o tom depende do dia, né? Eu também senti um desalento da Roberta no final do texto. Bastante melancólico.

lola aronovich disse...

Má, putz, ler o seu comentário me fez pensar sobre a enquete que estou pra colocar, que é sobre a gente ser diferente dos nossos pais. Eu estava pensando em apenas duas respostas, sim ou não. A pergunta seria assim: “De maneira geral, você é diferente dos seus pais nos valores e no comportamento?”. Primeiro eu pensei em colocar algumas diferenças: sim, muito / sim, um pouco / não, nada. Mas encalhei no “não”. Alguma sugestão?


Oi, Dai bananinha! Então, esse tema dá muito o que pensar... E por que será que provoca tristeza, ao invés de alegria?

Vitor Ferreira disse...

Pois é Lola, fui aceito no mestrado lá na Academia de Artes. Em agosto tô viajando, caso não neguem o visto... Foi uma das universidades que eu visitei quando estive por lá.

Cristine Martin disse...

Adorei o guest post, o texto é lindo e deu mesmo um nó na garganta.
E não é mesmo assim? Passa o tempo e cada geração acaba repetindo muitas coisas da geração anterior. Mas aos poucos as coisas podem ir mudando, acho que a solução é mais diálogo entre pais e filhos, coisa que anda meio rara por aí, ninguém tem mais tempo pra isso, entre baladas, shoppings e (muito) trabalho...

Aliás, essa música do Belchior cantada pela Elis era a preferida de minha mãe, minha e de minhas filhas... sintomático, não?

Beijos!

Flor Juliete disse...

Ai, Lola... vc me lasca...rs
Verdadeiro o texto.
Eu tenho uma filha de 3 anos e tenho o hábito de vigiar seu sono com a cabeça cheia de dúvidas, medos e esperanças...
Ah, quem dera poder escolher o melhor para essa geração que está chegando... É claro que tentamos fazer nossa parte (tá, nem todos), mas às vezes essa sensação melancólica do texto bate sim, pois sinto essa falta de projeto, essa pouca resistência, e não tem como evitar que os "filhos" dessa apatia coletiva sejam atingidos.
Mas vou tentando nesse cotidiano contraditório encontrar caminhos mais floridos e plantar outras sementinhas...
Vamos ver no que vai dar....
(ótimo texto)

Giovanni Gouveia disse...

Como disse o Língua de Trapo:
"Ainda somos os mesmos e vivemos como Belchior..."

Não sei se meu coração morreu, ao "crescer", mas de vez enquanto me reprimo ao reproduzir algumas práticas que eu condenava em meus pais, mais por necessidade de proteção (3 anos de idade ainda não lhe garantem emancipação) que por autoritarismo, mas continua autoritário...

Não gosto dos "Engenheiros", mas eu acho genial (mesmo não sendo Gaúcho):
"(...)Mas eu não quero deixar pro meu filho, a Pampa pobre que herdei do meu pai..."

Gabixi disse...

Bonito o texto, mas realmente acho que a solução para nosso mundo é cada um fazer sua parte, a felicidade mundial nunca vai existir, sempre vao ter guerras por aí, acho que se eu mesma trabalhar em um projeto social, ter um bom relacionamento com minha familia, sentir bem comigo mesma isso sim já é felicidade...

Walkyria Suleiman disse...

Poxa, tenho um filho de 20 anos, que está na faculdade e trabalhando. Não tem mais tempo pra nada. Aí outro dia ele disse que está meio cansado, ao que eu respondi, enquanto preparava o jantar, atendia ao telefone e lavava roupa: "Calma filho, você tem apenas mais uns 35 anos dessa vida!"
Olha só, maldade ou realidade? Lola, sei lá, passaria o dia elocubrando, pensando, revendo.... mas não tenho tempo, nem coração para isso, agora, neste momento em que vejo meu filho sofrendo assim.

Masegui disse...

O texto é melancólico, emocionante e belo! Com uma mãe assim a filha da Roberta tem tudo pra ser feliz.

Meu pai morreu jovem (47 anos) e eu sempre tive muito orgulho dele, de seus valores e princípios, mas sempre quis ser diferente em muitas coisas. Acho que não estou tendo sucesso porque todo mundo diz que sou igualzinho a ele. Graças a Deus!

Má disse...

Iii Lola, não sei não.
No meu caso herdei algumas coisas que gosto em meus pais, e acabei seguindo um caminho bem diferente do deles. Questão da aceitação da diversidade e tudo mais é deles, mas eles escolheram naquela época largar tudo e viver de lugar em lugar. Não se arrependem ,mas hj acham que deveriam ter continuado, nem que fosse depois, os estudos, assim teriam um ofício hj.
Questão política tb divergimos.

É um sim e não mesmo..rsrs
E vc, q parece q teve tb um criação libertária, se acha diferente?
Embora as vezes dá um certo pessimismo mesmo (por exemplo, muitos de meus amigos escutam as mesmas músicas que meus pais escutavam, diezm por falta de opção mesmo), acho que dá p ser diferente e melhorar as coisas sim, se não não teria razão de estarmos aqui discutindo isso!

Abração !

Samantha disse...

Que texto lindo! Fiquei muito emocionada. Não sabia que existiu essa separaçao ai em Joinville. Um amigo meu que é gaúcho (e é negro), sempre fala coisas semelhantes que acontecem por lá. Uma pena, mas por outro lado é bom saber q a mentalidade das pessoas vem mudando.

Mônica Angeleas disse...

Nós somos os responsáveis pela transformação do mundo, tudo começa por nós. Pelos mais simples atos do dia a dia. Eu sou uma otimista e acho que sempre podemos melhorar. Procuro ajudar a fazer um mundo melhor não só para meu filho.
Conheci hoje seu blog e gostei muito. Abçs

http://inteirativa.blogspot.com/

Vitor Ferreira disse...

Lola, mudando de assunto, arte nas ruas:

http://www.flickr.com/photos/ueifu/3511759189/

(a foto é em Cuba)

Greta disse...

Leio isso e penso "ainda bem que não tenho filhos", porque - sério - desse tipo de preocupação eu estou livre.

Não que eu não goste de crianças, eu gosto (acompanhadas de batatinhas, então, ficam uma de-lí-cia... :) ), mas é que justamente por gostar delas é que prefiro não tê-las. A tecnologia evolui, a sociedade acumula riquezas, mas a vida é cada vez mais difícil para aqueles que nascem hoje. Se para a gente já está ruim, imagine para a geração futura?

Quando se é jovem se idealiza o mundo, acredita-se que vai fazer alguma coisa para mudá-lo, então você vai envelhecendo e se pega ficando mais parecido com a geração dos seus pais do que desejaria. Atualmente , eu tenho a impressão que nada muda, ou melhor, quando muda, piora.
Ces't la vie.

Porém desse destino eu posso poupar minha descendência, porque, tal qual Machado de Assis, eu
não quero deixar para eles o "triste legado de nossa miséria" (ou uma pampa velha, whatever).

[]´s

Deborah disse...

Lola, acho pavorosa a idéia de separar pessoas pela descendência delas =O

Meu biotipo é igualzinho da minha mãe, falamos de um modo parecido e assim como ela me "rebelei".
Minha mãe casou aos 19 e aos 19 eu nasci. Família de fundação protestante (Congregação Cristã no Brasil), aquela onde mulheres usam véus e sentam separadas dos homens. Entre outros absurdos.
A minha mãe se libertou aos 30 e poucos e tenho orgulho dela, porque ela mandou se foder mesmo e foi lá, concluiu os estudos e seguiu o que acreditava. Eu também reagi, fui me libertando aos poucos através da escrita, e foi difícil mas estou muito melhor hoje. Aliás, tive coragem de me mostrar ao mundo e ser eu mesma.
Hoje tenho o cabelo curto, sou vegana e muito, mas MUITO mais corajosa! Me sinto realizada ;)

A minha mãe é bem mais porra-louca que eu,m no sentido de dizer o pensa pra qualquer autoridade e tal. Mas um dia eu chego lá...

PS: Tive coragem de contar minha história de horror lá no seu tópico.
PS2: Recebeu meu e-mail?

Débora disse...

Eu tenho um otimismo às avessas, acredito que a humanidade vai chegar num tal ponto em que a única opção será melhorar. Não estarei aqui para ver isso, eu acho, mas acredito nisso.

Srta.T disse...

O texto é lindo e sincero... e me deu um aperto grande no peito. Eu tenho tanta vontade de ser mãe, e tanto medo de botar meu filho nesse mundo (e no meu mundo, com as minhas expectativas sobre ele), acho que por isso me atingiu.

Mas pra afastar a tristeza e trazer (quem sabe) uma risada, eu sempre lembro do "Idiocracy": tomara que mais pessoas bacanas como a Roberta tenham filhos e passem seus valores pra eles. Senão, o que será do futuro?

Mariê disse...

Eu, como mãe de duas menininhas ( 8 e 14 anos), penso que uma das dificuldades é que, alguns de nós passam outros valores para os filhos, mas a maioria é reacionária e os nossos filhos convivem com os filhos dessa gente reacionária. Então, fica muito difícil a mudança acontecer. Porque se dilui numa sociedade onde a maioria ainda pensa e age como as gerações passadas e ultrapassadas.
Faço sempre muita questão de falar com minhas filhas coisas como se livrar do preconceito, lutar contra o machismo, o sexismo e etc.
Pensa que é fácil?

Só um exemplo. A mais velha (adolescente, imagina) disse que a namorada do primo é uma piranha.
Eu disse pra ela: nós já temos tantos homens nos chamando desses nomes, não precisamos que as mulheres também o façam. Porque só reforça a idéia que o homem tem o direito de fruir o sexo e a mulher não.
Não posso garantir que ela pegou tudo de cara, mas tenho certeza que a fez pensar.

Acho que o desalento é por perceber que nosso trabalho é de formiguinha e ainda somos poucas as formiguinhas.

Um abraço

lola aronovich disse...

Gente boa, muito bons os comentáriosd de vcs. Eu adoraria poder responder um por um, mas estou sem tempo nenhum no momento.
Mas eu leio todos, sempre!

Deborah, que email que vc me mandou? Por favor, mande de novo. Meu email é lolaescreva@gmail.com

Abração a todas(os)!

Gustavo C. disse...

Votei SIM na enquete. Sou completamente diferente dos meus pais no modo de enxergar a vida e o mundo. Aliás, diferente tbm de muitas pessoas da minha idade.

Mila disse...

Muito legal o texto.

Ana E. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Nefelibata disse...

Faz um tempo já que eu leio assim um pouco aqui e acolá seu blog, Lola. Parabéns =]

Eeh... por mais chato que seja isso, eu gostaria de comentar seu texto com um outro texto.

Desculpe pela propaganda, mas um grande abraço pra você =]

Deborah disse...

Lola, eu mandei nesse mesmo, será que foi parar na sua caixa de lixo eletrônico?

Chris disse...

Nossa, Lola, adorei o texto.
Várias vezes me pego com essa mesma linha de pensamento da Roberta para com a Ciça.
Queria muito evitar que a Ciça quebrasse a cara, desse com os burros n'água, não passasse por tantos perrengues que passei, mas, se ela não passar por eles, como irá crescer e amadurecer?
beijos e ótimo weekend

aqueladeborah disse...

Lola querida, perdi a vergonha na cara e publiquei minhas histórias on-line :D

www.grilhoes.wordpress.com

www.comproouro.wordpress.com

Tá aí :)

Boa leitura!

L. M. de Souza disse...

vi 'juventude transviada' com o james dean final de semana passado. há mais de 50 anos a sociedade não sabe lidar com os jovens. mas ainda sou da teoria q educação vem de casa e q os pais são sim os modelos, os filhos gostando disso ou não, acreditando ou não.

Roberta Noroschny disse...

Olá,sou eu, Roberta, autora do texto. Mandei para a Lola porque jamais teria coragem de publicar. Sempre que mexemos com velhas feridas ou verdades que os outros consideram justas e absolutas a reação é violenta. Nesse caso, como é autobiográfico, estaria deveras vulnerável. Aqui no blog da Lola senti-me mais segura para compartilhar minhas reflexões escritas em um momento muito solitário. Entretanto, como diz a Lola, tudo depende do dia. Meu desalento entrou madrugada adentro, sem que minha filha tomasse conhecimento. É para isso que servem os pais, não é? Aprumar o navio, enquanto podem, para os filhos não se desestabilizarem junto com os maremotos que sacodem as nossas almas. Obrigada pelos comentários, acho que venci um desafio em compartilhar com vocês as minhas fraquezas.

Alexandra disse...

Muito bonito o texto. Também me emocionei no final.
Parabéns pelo blog; o descobri recentemente e estou gostando bastante.

rebeca disse...

texto muito foda, só uma correção:

"dizia a música de uma tal de ELIS, “ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais”."

essa música "como nossos pais" é de BELCHIOR e ñ da Elis, apesar da música ter ficado famosa sendo interpretada por ela...

Anônimo disse...

eternos estudantes de esquerda são como eternos ignorantes... adoro! a ignorância é uma felicidade.

Roberta Noroschny disse...

Não entendi o Anônimo aí em cima? Como é que ele sabe que eu sou de esquerda, rs?
Lola, parafraseando Luther King," eu tenho um sonho", que um dia a direita deixe de ser anônima. beijo